Tio Pereira era um peão famoso pela guaiaca que tinha.
Fivela de prata, botões dourados, era um luxo.
Não emprestava e não era de venda.
Certa feita, tropeando uma boiada, parou para descansar.
Tomou um mate, comeu um carreteiro e depois dormiu,
deixando a guaiaca pendurada numa moita.
Guando acordou não viu mais a preciosidade.
Procurou, procurou, e nada.
Anunciou em baile, carreirada, falou no programa do Jaime
Ribeiro e até em missa, e nada da guaiaca.
Depois de muito tempo, indo para um fandango, parou no
Bar da Solange para tomar um trago. Olhando para o lado,
não acreditou no que viu.
Um vivente com e famosa guaiaca, todo prosa, esfregando
a pança no balcão.
Aquela cena ferveu-lhe o sangue.
Depois de tomar mais um gole, foi para clarear a questão,
já pronto para uma peleia.
Mas começou de mansinho:
- Que mal lhe pergunte, quem e o senhor?
- João Camargo, peão da Cabanha Santa Clara.
- E essa guaiaca... de onde vem?
- Ah essa guaiaca tem uma história.
Estava eu cavalgando por esses pagos e me deparei com um
tropeiro bom de anca, dormindo espalhado nos pelegos.
Como eu andava meio atrasadote, resolvi me servir daquele
traseiro popozudo.
Gostei tanto que trouxe a guaiaca de lembrança.
Mas por que me pergunta?
- Por nada não! E que eu quero fazer uma parecida pra mim,
até logo.
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